sexta-feira, 11 de novembro de 2011


Ontem, na  noite de Brasilia, pela qual posso circular agora que não trabalho mais madrugada adentro, encontrei a jornalista Catia Seabra, querida amiga. Trabalha na Folha mas foi minha colega no Globo.

Ela estava de férias quando de minha saida da EBC, há 10 dias. Recordamos o casamento da filha do senador Heráclito Fortes, em junho. Ela me ouviu dizer a muitos politicos amigos que lá encontrei, inclusive a José Serra, que em outubro deixaria o cargo. Na semana seguinte, Cátia quis fazer matéria e eu a tirei do caminho. Não podia confirmar porque ainda não havia dito o mesmo à presidenta Dilma,  Seria uma grosseria.  Contei ontem à Cátia que fiz um pedido público de desculpas a ela na coletiva que dei no dia 31. Tirei-a da matéria, que seria correta, por delicadeza com a presidenta. E com isso permiti que uma repórter chamada Ana Flor publicasse uma matéria cretina e mentirosa. Repleta de danos morais.  Cátia é uma flor, entendeu meu ponto na época.

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Vejo no Correio uma carta do Conselheiro Daniel Aarão Reis, aquele que tratava a presidente da EBC como empregada dele, contestando meu artigo postado abaixo.

Como agora não preciso ser conciliadora com ninguem, vou comentar o que ele tenta esclarecer.  
Vamos o que ele diz:


Sr. Redator
Outro lado
No artigo "Antes de virar a página" (76/11, pág. 13), a ex-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) Tereza Cruvinel é inexata quando me atribui a frase: "Sua — a dela — função é trabalhar, a minha é te controlar". Disse: "Sua função é executar, a do Conselho Curador, controlar". Disse-o com justeza, invocando a lei, pois não cabe ao Conselho executar políticas, mas controlar sua execução. Minha afirmação não foi, portanto, grosseira, mas adequada, pertinente e legal. "

Meu comentário sobre esta parte - Vocês viram alguma diferença entre as duas afirmações?  Ficando menos grosseiro, na frase que ele diz ter dito, ele nao se torna menos equivocado sobre os papeis institucionais da diretoria e do Conselho. Se entende que minha função (minha e dos diretores) é apenas executar, entende que não temos responsabilidade alguma na formulação. Somos meros empregados, executores. E é isso mesmo que o atual Conselho acha.  Eles decidem, a diretoria executa.   Ademais, a lei nao diz que o Conselho  deve controlar a execução de políticas da empreas, como afirma Reis. Ela diz, no artigo 17, que o Conselho deve atuar no controle da observância dos principios legais na PROGRAMAÇÃO.   São coisas sutilmente diferentes.


 Prosseguindo com a carta dele:

"Cruvinel é imprecisa quando afirma que "uma nova maioria" substituíra no Conselho Curador "os conselheiros nomeados por Lula". Ora, todos os conselheiros foram nomeados por Lula. É a lei.".

SOFISMA DO CONSELHEIRO - Todos são nomeados pelo presidente mas os primeiros conselheiros, nomeados em dezembro de 2007,   foram ESCOLHIDOS  pelo presidente.  Uma alteração do texto da MP pelo Congresso mudou radicalmente a forma de escolha. Agora, eles são INDICADOS  em consulta publica por instituições da sociedade civil.  O Conselho recebe os nomes e elege TRÊS, que são levados ao presidente para a escolha e nomeaçao de um deles. .  Dilma ainda não pôde fazer esta ESCOLHA mas posso assegurar que ela nao vai gostar. Lula, numa das uútimas nomeações, quase se recusou a assinar o decreto. Estava nomeando quem ele não escolhera.  Isso precisa mudar.

Segue o conselheiro:
"Também é imprecisa quando afirma que veio "uma ordem para tirar do ar os programas religiosos, em nome do Estado laico". Tratou-se de decisão democraticamente aprovada por imensa maioria do Conselho Curador, tomada não somente em nome do Estado laico, mas sobretudo em nome do pluralismo religioso.".

Eu digo: Foi uma ordem sim, ainda que aprovada por maioria. O primeiro argumento do autor do parecer que embasou a Resolução, Daniel Aarão Reis, invocou a laicidade do Estado. Depois, de tanto ouvir ponderações minhas e do ministro Juca Ferreira a favor da pluralidade, devendoo a TV Pública espelhar a sociedade e não o Estado,  acolheram alguma referencia a isso.

 Vamos ao ultimo ponto:

"A ex-presidenta perpetra uma inverdade quando afirma que seu afastamento da EBC se deveu a suposta ameaça de impeachment que seria decretada pelo Conselho Curador. A fonte de sua não recondução à presidência da empresa encontra-se no Palácio do Planalto, não no Conselho Curador."

Digo:  Não afirmei que as ameaças do Conselho me derrubaram. O que eu disse é que elas foram um motivo a mais para eu NÃO DESEJAR, NAO PLEITEAR E AFASTAR DEFINITIVAMENTE QUALQUER HIPOTESE DE PERMANÊNCIA NO CARGO.

Bem, ele afirma no final que a fonte da minha não-recondução está no Planalto. Claro, quem nomeia despacha lá. Mas Dilma nomeou Nlelson porque muito antes eu declinei da permanência e Nelson foi o nome levado pelo ex-ministro Franklin, com meu apoio.E com o da ministra também.
Alguns amigos acham que ele quis se referir  à ministra Helena mas nao creio que Aarão Reis  tenha razões para pensar isso.
Por fim ele assina.
» Daniel Aarão Reis, membro do Conselho Curador da EBC

E eu também,
Tereza Cruvinel, jornalista e cidadã.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Antes de virar a pagina


Correio Braziliense | Opinião – 06/11

Antes de virar a página :: Tereza Cruvinel
Jornalista

Encerrei em 31 de outubro o mandato com que me honrou o ex-presidente Lula, para implantar a Empresa Brasil de Comunicação e presidi-la no primeiro quadriênio. Tenho orgulho de ter contribuído para dotar nossa democracia de uma instituição que lhe faltava, o sistema público de radiodifusão. Saí com as mãos limpas e a alma maior. Agradeço ao Correio Braziliense pelo espaço de manifestação que me proporcionou neste período.

O custo foi alto, mas valeu a pena. Dirigentes, funcionários e apoiadores deixamos um legado importante, que a nova gestão, sob a liderança de Nelson Breve, irá fortalecer e ampliar. Ele não se restringe à TV Pública, hoje realidade nacional e internacional. Pode ser conferido no vídeo e na publicação Quatro anos de um ideal democrático, em www.ebc.com.br.

 Por esse legado, enfrentamos grandes adversidades e uma incompreensão brutal e macarthista. A renúncia teria me poupado, mas teria comprometido o projeto. Pensei nela quando ficou difícil comandar diretores que eu não escolhera. O ex-deputado Virgílio Guimarães me advertiu: “A MP não passará e você será a culpada”. Mais tarde, em outra crise, o conselho sensato foi do senador Tião Viana: “Votamos a lei confiando em você. Está nos anais. Renunciando, você ofende o Congresso”. Em 2009, consegui voar de Belém para Brasília no avião presidencial, pela única vez, para dizer a Lula que iria sair. “Não faça isso, você começou a obra, precisa terminar. Tire todo mundo que estiver atrapalhando”, disse ele. Prossegui. Na última semana de seu governo, ele insistiu, como já fizera o ministro Franklin Martins, cujo apoio nunca me faltou, na importância de cumprir o mandato até o fim, fazendo valer a lei.
Deve ter sido um erro, mas fiquei para concluir o mandato. Nunca desejei nem pleiteei mais quatro anos. Agora havia também o conflito com o Conselho Curador. Uma nova maioria substituira os conselheiros nomeados por Lula, formada por nomes oriundos de consulta pública e selecionados pelo Conselho. Para ela, o Conselho tem poder sobre tudo na EBC, e não a tarefa de zelar pelos princípios na programação, como diz a lei. Reagi à ideia de uma diretoria subalterna, traduzida pela grosseria pública do conselheiro Aarão Reis: “Sua função é trabalhar, a minha é te controlar”. Tudo culminou com a ordem para tirar do ar os programas religiosos, em nome do Estado laico. O Conselho não é gestor da grade. Os programas constavam da grade anual. Expus a divergência em artigo nesta página. A TV Pública deve espelhar a sociedade, plural e diversa, não o Estado. Por fim, a Justiça concedeu liminares às igrejas e o Senado condenou a resolução, prometendo revogá-la por decreto legislativo. A diretoria refletira corretamente a sociedade.

Outros conflitos houvera. Tivemos que refazer o Plano de Trabalho 2011, nele incluindo informações orçamentárias, tema afeto ao Conselho de Administração. O modelo tecnológico do Operador de Rede foi questionado, os investimentos em rádio também. Em 25 de agosto, reiterei à presidente Dilma que, mesmo se quisesse, continuar seria submeter-me a uma destituição já anunciada por notas na imprensa. É só buscar no Google. Elas diziam que, se Dilma me reconduzisse, o Conselho aprovaria meu impeachment, ou seja, a destituição pelo voto de desconfiança, prevista na lei. O blog Poder Online em 9/9/2011 avisou: “O Conselho não nomeia mas demite”. Na véspera, eu participara de reunião com a presidente e os ministros da Secom e do Minicom. O tema era tevê digital.

Pensaram que era recondução.

Acelerei a transição com Nelson, que eu levara para a EBC e era o nome consensuado. Fizemos o balanço da gestão, mas o Conselho cancelou a audiência pública em que seria apresentado. Em ato no dia 27, fizemos o balanço e a despedida. A ele compareceram mais de 300 pessoas, os presidentes do Senado e da Câmara, parlamentares, diplomatas, jornalistas, produtores audiovisuais. Os resultados foram mostrados e aplaudidos. Mas fontes ocultas informaram, por alguns jornais, que perdi a disputa pela recondução. Que o governo me trocou por discordar da gestão. Correta, só a informação de que o Conselho não me queria. Mas não informava por quê. Há um dano moral nisso. Precisei revelar, em coletiva, o não apurado. Ao virar a página, espero que a diretoria agora possa trabalhar e que o Conselho retorne ao seu relevante papel institucional e legal.

domingo, 6 de novembro de 2011

Fazendo ainda o Rito de Passagem

Em primeiro lugar, obriagda a todos pelas mensagens de apoio e carinho. Decidi postá-las em separado, num espaço à direita aqui no blog.  Não pude ainda responder ou comentar. Foram muitos os afazeres dos ultimos cino dias,. Agora seguem três links para textos e videos que gostaria que voces acesssassem quando poss´´ivel, e sobre os quais fallo a segiuite.

Íntegra, em texto, de minha entrevista coletiva de encerramento de mandato - 31.10.2011 - http://www.ebc.com.br/content/%C3%ADntegra-da-coletiva-de-imprensa-realizada-nesta-segunda-feira-3110-por-ocasi%C3%A3o-do-encerramen

Intega do video correspondente, não editado - http://www.ebc.com.br/content/coletiva-de-imprensa-termino-do-mandato-da-diretora-presidente-tereza-cruvinel

http://www.ebc.com.br/evento4anos - Prestação de contas sobre os quatro anos da EBC, em video e texto.

E ainda, meu artigo no Correio Braziliense, ao lado, publicado em 05/11/2011- "Antes de virar a página".  http://www.blogger.com/page-confirm.g?blogID=1056012835440352944&pageID=4523638212753022066

Todos estes documenteos são importantes dentro desta história. Prestam contas republicanemente do que foi feito.  Narram os fatos do ponto de vista de quem os produziu e viveu.  A verdade são os fatos.

Se não por minha trajetória, política e profssional  -  modesta mas toda ela comprometida com a verdade, a democracia e  um profundo sentimento de amor e pertencimento ao povo brasileiro -  mas por consideração a todos que compõem O Outro, devo ainda  mais informações sobre minha passagem e sobre minha saída da Empresa Brasoil de Comunicação -EBC/TV Brasil.

Auando falo em O Outro, estoou me referindo aos milhares de leitores, enquanto jornalista e a  todos os cidadaos quee apoiaram a criação da TV Pública e me deram um voto de confiança como liderança do processo de implantação (pois  no processo de concepção e viabilização política o peso foi de Gil e Franklin, e naturalmente, de Lula).   O Outro são todos os amigos e amigas, neste momento apenas preocupados. E ainda  aqueles que foiramcoontra a EBC/TV Brasil e deram combate  honesto à ideia.  Nao os que fizeram a guerrilha suja. Com estes, não temos que gastar palavras.,

É domingo, 6 de novembro,  7 da manha.  O dia começaem Brasilia/Lago Norte com o cantar de uns quero-quero. Chego àvaranda para dar bom dia a um Lago adormecido ainda.    Um hábito que perdi há quatro anos.  Nos ultimos cinco dias, estou me resgatando, a mim pessoal.   Fazendo exames demissionais, andei por uma cidade que mal vi nos ultimos quatro anos, dirigindo com prazer por suas ruas, algumas alteradas.   A vida, neste tempo, foi dentro da EBC ou atravessando o eixão rumo ao aeroporto. Ou voltando do aeroporto.  Quase sempre vindo e voltando do Rio mas também para outras paragens, internas e externas.  Foram quatro anos de compromisso absolutoe e isso não é demagogia. Todos sabem que foi assim.  Por tão intensa entrega, eu jamais quis, jamais pleeitei, jamais escondi que não faria o segundo mandato.  Sou jornalista, não  uma gestora pública. Mas emprestei o prestígio da primeira para o êxito da segunda na implantação da TV Pública e saí-me bem. Somos vitoriosos, todos nós que compramos esta briga.
´
Seria pedir muito, seria supor-me um ser com uma grandeza que não chego a ter,    minimzar o tamanho dos danos morais com um noticiário pelo qual fui descartada por causa da gestão e dos conflitos com o Conselho Curador.

Eu descartei a recondução por razões diversas mas sobretudo por causa do Conselho, de sua clara insatisfalção com uma presidente que não aceita canga,  Mas por causa da gestão, não.   Ela é plenamente vitoriosa e pode ser conferida,  O Governo sabe que poucos fariam maius qyue eu fiz. Ou até mesmo o tantao que fiz, não saozinha, naturalmente, ma  com os diretores, funcionários, parceiros, apoiadores.]

Fizemos, e para que fosse feito,  era preciso haver um líder, um coordenador, seja o que for. Alguem no meu papel:  planejando, combatendo, falando ou cklaando na hora certa,  abrindo picadas, impulsionando os demais  com  meu tom de urgência.  Um estilo que naturalmente  não agradou  a todos mas era o estilo necessácorio nestes quatro anos. Nelson Breve tem outro estilo mas o momento é outro e possivelmente agora convenha um outro ritmo de condução da EBC.

Então, antes de virar a página, obriga a todos pela leitiura.

Tereza

domingo, 30 de outubro de 2011

Jornalismo e Verdade

Amigos, amigas,

O indice de leitura da nota eplicando minha saida da TV Brasil foi alto, mostram as estatístticas do blogger. Comentários, apenas sete, que valem por sete mil.Destaco apenas o do Marona, porque de certa forma ele foi o profeta de tudo o que está acontecendo.  Ou seja, quero continuar falando de minha saída da EBC/TVBrasil , porque continuam publicando o que lhes interessa, sempre no intuito de me desqualificar. Mas não me desqualicam com uma denuncia de ordem etica ou moral, porque minha integridade está intacta. Não me desqualificam tratando verdadeiramente do que foi feito nestes quatro anos -  não por mim sozinha,  mas sob minha coordenação - porque o saldo é grande e demonstrável. Tentam me desqualificar dizendo que o Governo decidiu me substituir por discordar da gestão ou porque o Conselho Curador não queria minha recondução.

E por que volto a Marona? Porque certa vez, ainda na montagem do jornalismo da TV Brasil, em janeiro de 2008, se não me engano,  a hoje ministra Helena o convidou, com minha anuência e entusiasmo, convidou-o  para ser nosso gerente executivo de jornalismo no Rio.  E antes que o Marona assumisse, Helena demitiu o Luis Lobo, que não era mesmo adequado a seu cargo de apresentador-editor do Reporter Brasil.  E diante do escarcéu da mídia,  o Conselho abriu uma sindicância sobre as razões da demissões, se profissionais ou politicas. Helena demonstrou, com minha ajuda e apoio, que não houve nada de ingerência politica, apenas um ato administrativo dela. Mas deu trabalho, especialmente para a hoje ministra, demonstrar isso.

Por isso Marona escreveu uma carta aberta em seu blog,  endereçada a Tereza e Helena, agradecendo o convite mas recusando o cargo. Não iria trabalhar sob a egide de um Conselho que, nada entendendo de jornalismo, poderia amanha abrir sindicância contra ele. Foi uma pena mas Marona tinha  razão.

Por que recordo isso? Por que é verdade que o Conselho nao queria minha recondução. Não aceito  canga, muito menos ideológica.  O porta-voz em off do Conselho, Diogo Moysés, plantou várias materias dizendo que se eu fosse reconduzida sofreria impeachment. Referia-se à moção de censura, que se bem fundamentacda, na segunda ocorrencia impõe a perda do cargo.

Então, com meu destino selado, eu teria que ser bastante louca e bastante masoquista para pleitear o segundo mandato. Para sair desmoralizada? Devo ser um pouco de cada coisa mas não a este ponto. Quando isso ficou claro,  e somou-se aos meus problemas pessoais, e à objeção determinada de meu filho,  eu disse à presidentas Dilma e à ministra Helena que não poderia ficar de modo algum. 
Foi apenas isso. Mas por que a imprensa não procurou apurar isso? Por que o ex-meu amigo João Domingos, do Estadão, não  procurou saber quem era o candidato do Conselho? E Conselho, que fiscaliza, pode ter candidato? Como iria então fiscalizar?
Por que a repórter Ana Flor não procurou saber as razões do Conselho para nao querer minha permanência? Por que a reporter Ana Flor publica mentiras sem se dar ao menor trabalho de apurar, afirmando que eu trabalhei para ficar? Quem pode provar isso? Ela pode?
Questões do novo jornalismo. Devemos estudá-las.

Obrigada a todos pela força em cada uma das mensagens.
TC

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre o final de meu mandato

Amanhã estarei livre para escrever e com mais tempo para falar dos quatro anos que passei na presidencia da EBC, sobre tudo o quanto foi feito por todos nós neste periodo.

Hoje, quero apenas postar esta nota, distribuída à imprensa, a propósito das matérias não-apuradas da Folha e de O Estado, onde sou apresentada como alguém que tentou obter o segundo mandato e nao conseguiu. Talvez por incompetência. As matérias não me ouviram e contêm outros erros mas ficarei só em um aspecto, o da minha saída, comunicada à presidenta Dilma e à ministra Helena em 8 de Setembro.

A nota:
NOTA DA DIRETORA-PRESIDENTE DA EBC, TEREZA CRUVINEL, SOBRE O TÉRMINO DE SEU MANDATO, NO DIA 31 DE OUTUBRO DE 2011



            A propósito do encerramento de meu mandato no cargo de diretora-presidente da EBC e de mudanças no comando da empresa responsável pela gestão da TV Brasil e de todo o Sistema Público de Radiodifusão e Comunicação, esclareço aspectos que vêm sendo incorretamente registrados pelos meios de comunicação, especialmente pelos jornais Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo.

1.      A Lei 11.652/2008, que autorizou a criação da EBC, previu o mandato de quatro anos para o diretor presidente para garantir sua independência contra eventuais pressões políticas. Da mesma forma, previu o Conselho Curador para zelar pela observância dos princípios legais e a Ouvidoria de conteúdo como porta aberta à sociedade,  para se manifestar acerca da programação divulgada.

2.      Para mim, a  renúncia poderia ter sido, em alguns momentos, uma saída fácil. Entretanto, esforcei-me para cumprir integralmente o mandato, por entender que seria nociva a frustração da previsão legal na primeira experiência.

3.      Com a aproximação do término do mandato, pedi à ministra Helena Chagas que agendasse encontro pessoal meu com a presidenta, com a qual nunca havia tratado antes de assuntos da EBC. Pedi o encontro para  comunicar-lhe pessoalmente minha intenção de deixar o cargo ao final do mandato.  A ministra Helena Chagas agendou a conversa para o dia 8 de Setembro passado e dela devem existir registros no Palácio da Alvorada. Com o ministro Paulo Bernardo, tratamos juntos, em seguida, de outro assunto, o projeto Operador da Rede Digital Pública. 

4.      Nesta conversa, a presidenta convidou-me a permanecer por mais um período à frente da EBC. Tendo ouvido antes relato sobre nossas realizações, apontou a conveniência da conclusão de alguns projetos.  Mantive minha disposição, mas concordamos que, no interesse da gestão e da estabilidade institucional da EBC, minha saída só seria anunciada pouco dias antes do término do mandato, evitando especulações e incertezas administrativas naturais nestas circunstâncias.

5.      No dia 26, quarta-feira, escrevi à presidenta, através da ministra Helena Chegas, informando do balanço público dos quatro anos de mandato marcado para o dia seguinte, e convidando-a a participar, o que não foi possível.

6.      No evento, apresentamos um vídeo e uma publicação sobre as conquistas da gestão. Em nenhum momento pairou dúvida sobre o fato de que eu estava anunciando o encerramento de uma gestão.  No evento, com mais 300 pessoas, contamos com as presenças honrosas dos presidentes do Senado e da Câmara, da ministra Helena, de representantes de outros ministros, parlamentares, diplomatas, cineastas e produtores independentes, jornalistas, funcionários e entidades do campo público de comunicação.


7. Por isso, não procedem afirmações de que tentei permanecer no cargo por mais quatro anos e de que o Governo, desaprovando nossa gestão, resolveu me substituir. Desafio quem possa declarar que ouviu apelo meu neste sentido.  Desafio quem possa dizer que fez alguma gestão neste sentido a meu pedido. Houve sim, manifestações de entidades do campo publico e do audiovisual a favor de minha permanência, aos quais sempre agradeci pedindo que não levassem tais movimentos em frente.


8.O balanço da gestão apresenta um volume enorme de realizações, destacadas ontem em discurso no Senado pelo presidente da Casa, senador José Sarney. O vídeo e a publicação a respeito estão disponíveis. Outras comprovações também.


9. Fiz algumas demissões, como é prerrogativa de todo gestor, público ou privado.  Mas a gestão, que não é exclusivamente minha, mas de toda a diretoria e do conjunto de funcionários da EBC, dos prestadores de serviços e dos produtores associados ao projeto, não se caracteriza por isso.  Fiz uma prestação pública de contas, para a qual todos os veículos de comunicação foram chamados. O que nela se destacou foi a criação da TV Publica em âmbito nacional, a articulação de uma rede pública de televisão, a implantação de uma sólida e consistente infra-estrutura de produção e transmissão, de última geração, a produção e difusão de conteúdos diferenciados e complementares, observados os princípios da comunicação pública, entre outras realizações conexas.


10.  Servi com orgulho ao meu pais, cumprindo a Constituição Federal, que prevê a existência de um sistema público de comunicação, de natureza complementar.  Servi com orgulho ao um princípio sagrado da democracia, a observância da pluralidade.   Neste período, atuei fundamentalmente como gestora pública mas o Jornalismo é a profissão da minha vida. A ela dediquei 25 anos de bons serviços, que ninguém pode negar.  Em nome dela, de sua dignidade, de seu compromisso com a verdade, peço que levem em conta, buscando confirmar, as informações que presto acima. Até agora, nenhum jornalista procurou ouvir-me sobre o assunto antes de publicar tantas e tão incorretas matérias que buscam desqualificar minha atuação à frente da EBC.

                                                Tereza Cruvinel,
Jornalista, diretora-presidente da EBC até o dia 31 de outubro de 2011.


                       


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Equador - A partir de hoje na TV Brasil




Equador é um belo livro. Um belo painel da Africa, da era colonial, da hegemonia inglesa e deste que é um dos mistérios da vida humana, as razões e não-razões do amor.
Acompanhei as angústias do Miguel Sousa Tavares, amigo de longos anos,  para dar à luz este romance que ele acalentou na alma por muito tempo.
Muitos anos se passaram desde a primeira edição. Logo depois da criação da TV Brasil, firmamos uma parceria com o Grupo Prisa, que inclui a TVi de Portugal. Em nossa primeira reunião com André Cerqueira - hoje diretor geral da emissora portuguesa - falei de nosso interesse na serie. André é um grande executivo de TV. Brasileiro, está há tantos anos em Portugal que já fala como os portugueses. Pois desde então trabalhamos para que nos fosse cedida a exibição de Equador, em condições favoráveis.
A minisserie estreia hoje na TV Brasil, a nossa TV Publica. A TV para ver e pensar.
Voce vai gostar.
Se precisar de informações sobre como sintonizar, acesse www.tvbrasil.org.br  . Clique em "como sintonizar".
 Vamos curtir este momento de literatura e cultura. sempre às 23 horas.

Tereza