sexta-feira, 2 de maio de 2014

Ponto de reencontro

Caros amigos, amigas, leitores, interlocutores....
Na quinta-feira, primeiro de maio, dia do Trabalho, publiquei minha ultima coluna no Correio Braziliense e jornais dos Diarios Associados.  Pulemos o capitulo das razóes. A muitos que lamentaram, no Facebook, no Twitter e por email, apontei este blog como ponto de reencontro. Aqui tentarei dar continuidade ao trabalho analitaico que fazia na coluna sobre nossa sempre conturbada conjuntura politica. Depois de uma intervençao na arquitetura do blog, poderei postar videos e áudios. Inclusive os comentarios no telejornal RedeTV News. Por hora, deixo apenas os textos deles, depois que forem ao. O telejornal vai ao ar 22hs15 min e eu comento nas 3as e 5as. feiras por enquanto. Ate.
Tereza

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A poesia resiste

(Publicado no Correio Braziliense)

O lançamento de um livro de verdadeira poesia é sempre motivo para celebração: já não há lugar para o poema em nosso tempo real, duro e global, movido a informação. Não se publica poesia porque os poetas estão em extinção. Ou será o contrário? Volta a Ítaca, que está sendo lançado pela parceria entre as editoras Lacre e Boca da Noite, é um livro que nos devolve o sonho helênico, matriz de todos os sonhos ocidentais, nos versos do brasileiro Virgilio Costa e nas gravuras da artista plástica grega Artemis Alcalay. Como diz o poeta Alexei Bueno em seu prefácio, o verso e o traço ganham “uma simbiose perfeita e inarredável”.

A Grécia, seus deuses, mitos e heróis, inspiraram dezenas, talvez centenas de obras literárias, na prosa e na poesia. Boa parte delas centrada em Ulisses, em sua venturosa viagem de volta à ilha de Ítaca, enfrentando o mar bravio, os ciclopes, os dragões e o canto traiçoeiro das sereias. Os poemas de Volta a Ítaca cultuam esse universo não como pura evocação histórica, mas para falar de sentimentos e situações de nosso tempo.

Alguns, mais confessionais, falam de exílio, andanças por terras distantes, enfrentamentos políticos, o amor e as perdas, na experiência do autor. O mar é uma constante, plácido ou agitado. “É um viagem. Nostalgia. Noite no Mar Egeu. Barco de homens de pele queimada e estranha língua. A mesma face, a mesma raça”, ressaltam os versos de Virgilio.

O poeta, doutor em artes e humanidades, mestre em artes visuais, graduado em teoria da comunicação, é pesquisador em história da Casa de Rui Barbosa, ensaísta e pintor.
Os desenhos de Artemis foram produzidos em Nova York de 1985 a 1995. “São frutos de árvores distintas, debaixo da mesma tempestade”, destaca Virgilio. A nostalgia pela Grécia e o sentimento comum de exílio refletido nos poemas do amigo criaram as bases para o livro, aponta Artemis. Um livro para ser sorvido, nos versos e nas formas. De volta a Ítaca será lançado amanhã, na Casa de Rui Barbosa, no Rio, com a exposição das gravuras. O lançamento em Brasília está sendo programado.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cores fúnebres: morre o artista plástico Luiz Carlos Cruvinel

Amigos, amigas,
Este blog esta´virando um obituário prolongado. Morreu esta noite o pintor, arquiteto, artista plástico e pensador irreverente Luiz Carlos Cruvinel. Aos de Brasilia, informo que será velado esta tarde no Campo da Esperança, tempo 2.
Por ora, na falta de tempo, republico o post que saiu aqui, sobre sua ultima exposição. Ele deixa uma obra linda, a mulher Alcione, os filhos Júnior, Julia e Marina, seis netos e muito saudade. Segue o post.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Amostras de Cruvinel (o pintor)



Isso aqui é uma pequena amostra da exposição  maior "Amostras de Cruvinel", que estará no Mezanino do Teatro Nacional de Brasilia, do dia 20, sexta-feira próxima, ao dia 28 de julho deste 2012, com apoio da Secretaria de Cultura.do GDF. A exposição faz parte do encontro "Contemporâneos Velhos de Guerra", que reunirá em Brasília, pela sexta vez, ex-alunos e ex-professorse da UnB nos anos 60,  anos de sonho, utopia e tragédia da Universidade criada por Darcy Ribeiro. Eles ousaram nas artes e nas ciências, quebraram tabus e enfrentaram a ditadura.  Com um deles, ela desapareceu, e agora esperamos que a Comissão da Verdade revele o que aconteceu com Honestino Guimarães depois de ser preso no Campus, em 1968, com os colegas protestando e cercando a viatura. Naquela crise, a Universidade foi invadida, muitos foram presos, cerca de 200 professores, que incluiam nomes da fina flor da inteligência brasileira de então, foram demitidos ou se demitiram.  O físico Roberto Salmeron foi um deles e tem um belo livro sobre o assunto. Padu, o jornalista Antonia Padua Gurgel, também escreveu sobre esta saga. Eu vivi tudo isso novamente, de forma um pouco mais amena, nos anos 70. Quem arregaça as mangas para que este encontro aconteça, mais que todos, é o arquiteto Antonio Carlos Morais de Castro, o Morais. Falei muito do encontro, agora falo do pintor e sua obra.
Antes que me pergunte, Luiz Carlos Cruvinel é de Morrinhos, Goiás. Eu,  de Minas. Coromandel/Abadia dos Dourados. Os meus ancestrais, como os dele, sairam do núcleo Cruvinel de Uberaba, uma gente que veio vindo, do litoral para o Sertão de Minas, passando por São João Del Rey,  Guaxupé, Formiga, Desemboque, Sacramento etc. Então, em algum distante lugar do passado, somos parentes. No sangue. Mas no coração, Cruvinel é meu-primo irmão de primeiro grau. Se eu falar que é irmão, o Luiz Humberto Cruvinel, fotógrafo, meu único irmão biológico, ficará  com ciuúmes. Luiz Carlos tem este lugar no meu coração, pela pessoa inteligente, correta e generosa que é,   pelo artista que habita nele. Tudo extensivo à  Alcione, sua mulher, também artista plástica, ao Júnior, Julia e Marina. 
 Adolescente,  pouco depois  de chegar a Brasília deparei-me um dia com  uma exposição dele na galeria da W-3 Sul, 508, da Fundação Cultural. Acho que não existe mais. A W-3 norte não existia.  Fiquei curiosa e nunca descansei até conhecê-lo,anos depois, numa tarde seca,  no decadente conjunto Conic, onde tomamos muitos cafés com pão-de-queijo trocando figuras sobre os Cruvinel, uma gente muito louca que não vem ao caso aqui. Nunca mais nos perdemos. Participei, indisciplinadamente, de O Caixote, a linda revista eletrônica de arte que ele produziu com Lizete Mercadante e outras pessoas criativas e criadoras. Pode ser visitada e lida ainda, na Internet. 
Não sou crítica de arte, apenas amante. Os quadros dele me impactaram, desde a tal exposição que vi pela primeira vez. Mais tarde é que conheci a obra de Siron Franco, e soube que os dois e outros mais compunham uma especie de nova escola de arte goiana. O fato é que achei tudo muito lindo nos quadros do Luiz:  a fina técnica, o pincel quase invisível,  os temas, um quê de surrealismo, o vermelho e o azul gritantes. Para não falar bombagem, reproduzo o que Walmir Ayala disse dele: 
"Cruvinel extrai do caos a imagem do homem contemporâneo. Como tantos artistas de tantas épocas, esta imagem surgia sem gosto terrestre (no dizer ceciliano), perplexa como a dos nascituros condenados à vida"..."A tudo isso Cruvinel propõe uma energia cromática que se liga ao remoto oficio arquitetônico. Arquiteto e pintor tocam-se as máos e forjam um tempo plástico que se consuma original, na medida em que se torna verdadeiro e lúcido".
Mais não digo. Convido meus conterrâneos e contemporâneos de Brasília (eu sou UnB anos 70, combinado?)  a visitarem a exposição do Luiz, fruindo um momento de prazer diante do belo.  E os dos anos 60, a procurarem o Morais caso queiram participar da programação do encontro, "Contemporâneos Velhos de Guerra", parafraseando mestre Waldirmir Carvalho, para  recordar aqueles tempos inesquecíveis.
TC
.
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Adeus, Lyra

A última postagem neste blog foi sobre a morte de Sergio Miranda. Volto a ele, que anda descuidado, para falar de Fernando Lyra, a quem devemos tanto. Partiu hoje.



Adeus, Lyra

A democracia foi a paixão de Fernando Lyra na política.  Hoje, sob o impacto de sua partida, olhando para trás é possível compreender que só a paixão leva um homem a mudar tão radicalmente de tática para alcançar seu objetivo. Foi o que ele fez, e era grato à vida por ter sido vitorioso.  “Posso dizer que realizei meu maior sonho”, disse anos depois. Ele ajudou a realizá-lo, para todos nós, porque não temeu o perigo nem hesitou na encruzilhada. 
No plano nacional,  Lyra desponta em 1970, como deputado federal pelo MDB, depois de ter sido deputado estadual em Pernambuco. Filiou-se logo ao “grupo autêntico” do partido, que fazia uma oposição mais vigorosa à ditadura, denunciando torturas, prisões, desaparecimentos, casuísmos.  Com sua voz de trovão, estava sempre na tribuna, bradando contra o “arbítrio”, palavra que apreciava.  Nem mesmo os autênticos usavam muito a palavra “ditadura”. Do outro lado, os moderados liderados por Tancredo e Thales Ramalho, sempre preocupados com o humor dos quartéis, recomendando cautela para que não houvesse “retrocesso”. Mas Fernando não era só de tribuna, gabinete e salão verde, embora flanasse pelo Congresso com grande prazer. Ele era das ruas, dos debates onde era possível, estava sempre na UnB e em outras universidades, apoiando os estudantes e outros movimentos de resistência. . Os tempos eram amargos mas ele era bem humorado, irônico, piadista, afetuoso, mordaz.  Não perdia piada e era capaz de rir até de si mesmo.
Na luta interna do PMDB, entre as duas alas, era um crítico impiedoso de Tancredo e dos moderados. Achava que,  tensionando e acumulando forças é que o MDB derrotaria a ditadura. Acredito que começou a fazer sua transição em 1977, no debate sobre a reforma do Judiciário apresentada por Geisel. Tancredo apelou para que o MDB votasse a favor. Não podiam cutucar a onça com a vara curta. O regime , que prometia abertura, podia recrudescer. Os autênticos teimaram e votaram contra, derrotando a proposta com a ajuda de dissidentes da Arenda.  Geisel fechou o Congresso e usou o AI-5 para baixar o pacote de abril: o mandato dos presidentes, ou seja, do general sucessor, seria de seis anos. Um terço do Senado, nas eleições seguintes, quando seriam renovados 2/3,  seria composto por senadores biônicos, eleitos indiretamente, garantindo o controle do Congresso pela ditadura. Mas não foi desta vez que ele se rendeu claramente a Tancredo.
A abertura deu novos passos, Em 78, o estrategista do regime, general Golbery, sentindo que a oposição estava mesmo acumulando forças, deflagra uma reforma partidária para dividi-la.  A Arena muda de nome e vira PDS. O MDB coloca um P antes da sigla para manter sua identidade. Tancredo e os moderados fundam outro partido, o PP, mas são obrigados a retroceder. O regime impõe o voto vinculado para as eleições de 1982. O eleitor poderia votar apenas em candidatos de um mesmo partido. Pequeno, o PP não teria futuro.  Com a reforma, ressurge o PTB, do qual Ivete Vargas se apropriou, forçando Brizola a criar outro partido trabalhista, o PDT. Logo depois surgiria o PT. Em 79, pressionado pelos movimentos da sociedade civil e por greves de fome de presos políticos, o presidente Figueiredo apresenta a Lei da Anistia. Lyra e os parlamentares da vanguarda do PMDB que, ampliada, agora era chamada de “ala progressista”, resistem ao artigo pelo qual serão anistiados tantos os que combateram o regime como aqueles que os perseguiram, mataram ou torturaram. Ele foi um dos que esbravejou mas não tiveram forças para modificar a proposta, o que até hoje impede a punição dos criminosos do regime.
A virada de Lyra acontece em 1982.  Neste ano ocorreram as primeiras eleições diretas para governador depois do golpe de 64. O PDS ganha em 12 estados, o PMDB em nove, o PDT no Rio, com Brizola. Mas o regime só ganhou na periferia. O PMDB elegeu Montoro em São Paulo, Tancredo em Minas, José Richa no Paraná, Miguel Arraes em Pernambuco, Pedro Simon no Rio Grande do Sul, por exemplo.  Lyra contou, anos depois, que no dia da posse não se programou para ir a Recife, como seria natural.  Disse a Márcia, sua mulher. “Vamos a Belo Horizonte, para a posse do governador Tancredo Neves”. Tancredo o convidou para um grande almoço no Palácio das Mangabeiras, ao final do qual, Lyra pôde lhe dizer: “Dr. Tancredo, vim aqui para lhe dizer que o senhor é o meu candidato a presidente”. Tancredo reagiu com um “não me fale disso”. Lutara muito para chegar ao Governo de Minas,  não poderia deixar o cargo dentro de dois anos.
            Naquele momento, a candidatura só poderia ser de alto risco. Ulysses Guimarães fora anticandidato pelo Colégio Eleitoral, contra Geisel, para marcar posição e denunciar a “farsa” do regime. Em 1978,  o PMDB voltou ao Colégio Eleitoral, contra Figueiredo, com a candidatura de um militar, general Euler Bentes Monteiro.
            Mas a roda da historia começava a girar com mais velocidade. Em 1983 um jovem deputado eleito no mesmo pleito de 82, Dante de Oliveira, apresenta emenda constitucional propondo eleições diretas para presidente em 1985, quando terminaria o mandato de Figueiredo. Inicialmente não é levada a sério mas Ulysses Guimarães e o alto comando do PMDB abraçam a emenda. As oposições se unem e deflagram o movimento popular pelas “diretas-já”, que promoveria as maiores manifestações de massa do período militar. Ulysses seria o candidato natural se a emenda passasse.
            Lyra mergulha na campanha, vai a todos os comícios,  arregimenta artistas, integra o comitê de deputados do comando da campanha, combina com entusiasmo suas virtudes de agitador e articulador.  Mas já se tornara um interlocutor de confiança de Tancredo e, com outros moderados, sustentava que, se a emenda não passasse, o PMDB deveria participar do Colégio Eleitoral tendo Tancredo como candidato. Moderado, seria assimilado pelos militares se derrotasse o candidato civil do PDS, Paulo Maluf. A emenda não passa, começam as articulações da candidatura de Tancredo. Ulysses e os progressistas inicialmente resistiam mas acabaram se rendendo. “Vamos de nariz tapado”, dizia Ulysses, referindo-se ao “instrumento da ditadura”, o colégio de 694 eleitores, composto por deputados, senadores e representantes da s assembléias legislativas. Lembro-me de Lyra nesta fase, com o mapa do Colégio Eleitoral sobre a massa, marcando cruzinhas nos votos que considerava certos para Tancredo. A vitória foi possível graças aos votos dos dissidentes do PDS que racham com o regime e fundam a Frente Liberal, que indica Sarney como candidato a vice.
            Lyra agora era um dos homens fortes de Tancredo, que é operado na véspera da posse e vem a morrer 39 dias depois.  Lembro-me dele abatido e atônito no Hospital de Base de Brasília, para onde  acorreu todo o mundo político na longa noite de 14 de março.
            Sarney, empossado, mantém os ministros escolhidos por Tancredo, mesmo depois de sua morte. Com Lyra, teve alguns conflitos. Lyra o chamou de “vanguarda do atraso”. Cometeu a gafe quando tentava explicar por que o PMDB o escolhera como vice. Fernando Henrique, pouco tempo depois, faz um duro ataque ao presidente e à sua política econômica. “Eu pisei no tomate mas ele pisou no tomateiro todo”, diz o ministro da Justiça, para delícia da crônica política.  Sua gestão no Ministério da Justiça foi uma faxina no que ele chamou de “entulho autoritário”. Acabou com o departamento de censura, revogou leis e decretos arbitrários, começou a desmontar os aparelhos repressivos, a implementar mais amplamente a Lei da Anistia.
            Saiu em 1986, renovou o mandato e, sentindo-se desconfortável no partido que já não era o mesmo, filiou-se ao PDT. Foi vice de Brizola na campanha presidencial de 1989. A saúde começou a fraquejar. Em 1990, ficou como suplente mas acabou assumindo o mandato e se reelegendo em 1998. Depois, a combinação entre saúde debilitada por cinco pontes de safena e certa decepção com a atividade parlamentar rotineria,  levou-o a desistir das eleições. Apoiou Lula em 2002 e foi nomeado presidente da Fundação Joaquim Nabuco, onde fez um belo trabalho de valorização da cultura e da memória política.   Filiou-se ao PSB e apoiou a eleição de Eduardo Campos para governador. Os tempos difíceis haviam ficado para trás, os tempos da paixão também.  A democracia era uma realidade.
            Para mim, como para muitos jornalistas, ele passou de fonte a amigo.  Quando ligava, dizia: “É Fernando Lyra, já me esqueceu? “. Da última vez que o vi, em Recife, levou-nos, a um grupo de Brasília, para almoçarmos num restaurante rústicoem Jaboatão. A dona era sua amiga, a comida, maravilhosa.  Entre a moqueca e as caipirinhas de pitanga, recordamos os velhos tempos.
            Dele, podemos todos dizer o que ele disse de Cristina Tavares, sua companheira do grupo autêntico, no prefácio que lhe pedi para escrever ao perfil biográfico dela que produzi para a Câmara dos Deputados: “Foi esta grandeza interior que se espalhou como uma luz nas trevas, quando a luz era mais necessária. Que rompeu a amargura de tempos difíceis, como um rasgo de esperança. Que se transformou em anúncio permanente de um tempo melhor”.
           

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sergio Miranda



 
O mundo fica pior cada vez que perdemos um dos nossos melhores. Sérgio Miranda foi um homem público exemplar, um intelectual de resultados e um ser humano excepcional. As convicções políticas o guiaram desde os 15 anos, quando começou a militar no movimento estudantil em Fortaleza e entrou para o PCdoB. Foi preso em Ibiúna em 1968 e expulso do curso de matemática da UFCE. Vieram anos de clandestinidade. Viu companheiros, como Helenira Resende e Robson Gurgel, partirem sem volta para o Araguaia. Viu serem trucidados pela ditadura dirigentes como Pedro Pomar e Angelo Arroyo.
Conheci-o na CPI dos Anões do Orçamento, em 1993. Havia chegado à Câmara como suplente de Célio de Castro e logo se destacou pela combatividade e pela aplicação aos temas de seu maior interesse na esfera do Estado: a dívida pública, os direitos sociais e previdenciários, as questões orçamentárias, as telecomunicações. Logo apareceria nas listas dos mais influentes. Tinha causas, não interesses. Ajudei modestamente na divulgação de alguns, destacando a parceria com ele e Walter Pinheiro para impedir, no governo FH, que os recursos do Fust fossem apropriados pelas teles.
No início do governo Lula, votou contra a reforma previdenciária e foi punido com uma suspensão pelo PCdoB. O PT fez o mesmo com seus dissidentes. Esse ato de força desnecessário contra quem dedicara 43 anos à legenda comunista dividiu sua vida. Saiu do partido, entrou para o PDT, mas não se elegeu em 2006 nem em 2010. A perda do mandato certamente cortou-lhe parte do oxigênio que nutria seu DNA político.
Combatente, Sérgio era também um homem culto e sensível, amante das artes e da literatura, especialmente da poesia. Por sua partida, tomo emprestada a primeira estrofe de Funeral blues, de Auden, poema de que ele muito gostava: “Detenham os relógios/calem o telefone/joguem um osso ao cão para que não ladre mais/façam silêncio os pianos/e o tambor sancione o féretro/que sai com seu cortejo atrás”. 
 
Publicado no Correio Braziliense - 27.11.2012 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Déda me manda um poema

 Marcelo Déda é governador de Sergipe. Para mim, será sempre um amigo e confidente, uma pessoa excepcional: pela inteligência, integridade, cultura,  sensibilidade e muitos outros atributos. Pouco depoios de ver as fotos do SNI, postadas ontem, mandou-me este lindo poema, claro com a alma dele. Poesia não é para guardar na gaveta, é para compartilhar. Ei-lo.

As fotos de Tereza


O momento era tenso
o inferno era perto
mas o olhar era lindo
e a menina de bata
encarou o fotógrafo
sem temer seu destino.

O momento era certo
o inferno era findo
quando o olhar do destino
fotografou a menina
já mulher sem a bata
e ela estava sorrindo.


Marcelo Déda
Bsb, 16.08.12

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pequena memória do cárcere

Ontem, quando escrevia a coluna na redação, fui interrompida pelo  Edinho (o repórtet Edson Luiz Ferreira,
que tem feito uma excelente garimpagem nos arquivos abertos da ditadura).
- Tenho uma coisa para você. Suas fotos na prisão.
É claro que tive um sobressalto mas segurei a emoção e a curiosidade:
- Edinho, uma coisa destas, só terminando a coluna primeiro.
E só depois fui ver. Na véspera, Luiz Carlos Azedo também recebera uma foto sua nos tempos de lider estudantil na UFF e ela também me havia emocionado. Está no Facebook dele.
As minhas, resolvi postá-las neste blog, que agora é pessoal e não jornalístico. Repito o link para o blog de jornalismo político no site do Correio Braziliense.   http://www.dzai.com.br/terezacruvinel/blog/terezacruvinel Resolvi postá-las não por qualquer exibicionismo. Militei contra a ditadura mas não sofri nada diante do que outros passaram. Postá-las aqui é um tributo à Lei de Acesso à Informação e à busca da verdade. Isso foi na prisão, na Polícia Federal, em 1977. Colegas do movimento estudantil UnB Anos 70: Edinho conta que vocês estão todos lá.